Hoje visitamos um grande família, composta por Dona Ada, Seu Jô e seus seis filhos. As condições de habitação são precárias, mas os pais dia a dia tentam melhorar e zelar pela única herança que podem deixar a seus herdeiros... nas palavras de Seu Jô "a saúde e a educação".
Apesar de tudo, o que me preocupava na casa na verdade não era Seu Jô e sim sua esposa, Dona Ada, que possuía uma relação de amor e ódio com seus medicamentos. Inicialmente trouxe entusiasmada toda sua cesta de medicamentos... de tudo um pouco tinha ali, alguns vencidos, outros empoeirados. Relatava detalhadamente para toda a equipe multiprofissional, todos os seus problemas e saúde; e pra cada coisa um medicamento que havia sido receitado. Falava com propriedade, pois apesar do problema ocular lia todas as bulas e acreditem, isso não era bom! Pois, cada reação adversa em potencial era sentida por ela após alguns dias de uso, o que a fazia sempre escolher os tratamentos que iria deixar de utilizar. Adicionado a este problema, está o fato de utilizar formas farmacêuticas complexas (spray nasal, bombinha de aerossol, colírio) agravava seu quadro de não cumprimento pois as doses tendiam a ser menor pelo uso inadequado.

Realizamos abordagem sobre o uso de cada medicamento, sua necessidade e modo de utilização e verificamos o nível de compreensão da paciente.
O que fica de lição, nesta família é que cada pessoa tem sua própria relação com seus medicamentos e seus próprios mecanismos de gestão da terapia. Para que ocorra um resultado adequado da utilização de medicamentos, sem descumprimentos e sem exagero do uso é necessário que o usuário tenha acesso a informação!
Para saber mais:
*Para preservação das identidades os nomes dos pacientes foram alterados.