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sábado, 27 de abril de 2013

Farmacêutico: Cuidador ou Digitador?

No dia 16 de Abril a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) confirmou o inicio da escrituração de Antimicrobianos para as farmácias de todo o país, por meio de uma nota técnica. Um avanço para o Uso Racional de Medicamentos?



Nem tanto. Sem dúvida, o aumento do controle desses medicamentos está associado a uma redução dos casos de automedição e a prevenção de resistência microbiana na comunidade. Porém, para garantir esse tipo de controle a Anvisa acabou gerando outro problema para a classe farmacêutica e para a população: o afastamento do farmacêutico das atividades de cuidado ao paciente, pois cada vez mais ele está sujeito a atividades operacionais relacionadas a regulação sanitária.

Parte do dia-a-dia do profissional farmacêutico hoje já está dedicado a escrituração das vendas dos medicamentos psicotrópicos e demais da portaria MS 344/98. Pois de acordo com a RDC que regulamenta o Sistema de Gerenciamento de Produtos Controlados - SNGPC: "O responsável técnico do estabelecimento, portador do perfil de transmissor do SNGPC, é o profissional responsável pela escrituração do estoque e da movimentação de substâncias junto ao referido sistema". Agora com a necessidade de escrituração dos Antimicrobianos, essa decisão preocupa a categoria e virou motivo de indignação e piada entre os profissionais.

 (fonte: facebook lucas gibaile farmaceutico)

Essa preocupação se tornou ainda mais evidente quando o Conselho Federal de Farmácia (CFF) decidiu emitir comunicado relatando uma alteração na Resolução 542/11 que regulamenta a dispensação de antimicrobianos, determinando que:

"O FARMACÊUTICO PODERÁ ATRIBUIR A ESCRITURAÇÃO DAS RECEITAS DE ANTIMICROBIANOS A FUNCIONÁRIO POR ELE TREINADO E SOB SUA ESTRITA SUPERVISÃO. PORÉM, A CONFERÊNCIA E A TRANSMISSÃO DOS DADOS É ATIVIDADE INDELEGÁVEL DO FARMACÊUTICO."

Alguns críticos a esta decisão afirmam que a medida legitima uma conduta ainda comum país que é a "assinatura" da farmácia, onde o profissional se isenta de suas ações por meio de acordos ilegais com os proprietários do estabelecimento. Já discutimos esse assunto inclusive aqui no Blog (clique aqui).

A verdade é que a parte corrupta da classe continuará com a mesma prática até que mecanismos eficazes de fiscalização sejam realmente implantados. Pois, já há vários relatos de profissionais que repassam suas senhas do SNGPC.

Quem não pode ser penalizado é o farmacêutico que luta no seu dia-a-dia para garantir que o uso racional de medicamentos se estabeleça, aquele que se dedica a orientação e ao cuidado dos pacientes.

Afinal a sociedade necessita de farmacêuticos digitadores ou farmacêuticos cuidadores? Para a segunda alternativa é necessária regulamentação e fiscalização para garantia de farmacêutico disponível para orientação em todo o horário de funcionamento da empresa; modernização dos sistemas de controle da Anvisa para minimização do tempo dedicado a processos de digitação e envio de informações; e principalmente fomentar a cultura nas universidades, nos conselhos, associações e no cotidiano profissional da figura do farmacêutico que se dedica e zela pelo cuidado da população.

"O uso racional de medicamentos não é apenas mais uma área de atuação do farmacêutico, é sua razão de ser"


quarta-feira, 6 de março de 2013

AF no Mundo - Crise na Grécia causa pânico por desabastecimento em Farmácias

Fonte: The Guardian

Mulher em estado escritório fundo de saúde em Atenas


A Grécia enfrenta uma grave escassez de medicamentos. Centenas de medicamentos estão em falta e a situação está piorando segundo o órgão de regulamentação do governo.

As faltas estão ocorrendo devido a redução ou interrupção de abastecimento de grandes empresas multinacionais. O governo elaborou uma lista de mais de 50 empresas farmacêuticas que acusa de travar ou planejar a interrupção de abastecimento por causa dos preços baixos no país, um dos mais baixos de toda a Europa.

Mais de 200 medicamentos são afetados, incluindo tratamentos para a artrite, hepatite C e hipertensão, agentes redutores do colesterol, antipsicóticos, antibióticos, anestésicos e imunomoduladores.   

O órgão que representa os farmacêuticos no país, a Associação Pan-helênica de Farmacêuticos confirmou as faltas. "Eu diria que os estoques de suprimentos estão reduzidos a 90%", disse Dimitris Karageorgiou, o seu secretário-geral. "Cerca de 300 drogas estão em falta o que incluem medicamentos para pacientes com câncer e pessoas que sofrem de depressão clínica", disse Karageorgiou. "É uma vergonha. O governo está em pânico e as multinacionais só pensam em si, restringido a venda a outros países europeus por um preço maior."

Para mais informações, confira a matéria completa: clique aqui