sábado, 17 de agosto de 2013

Dica de Livro - Serviços Farmacêuticos baseados na Atenção Primária a Saúde

Lançado este ano (2013) neste documento a Organização Panamericana da Saúde  (OPAS)  demonstra sua posição com a organização dos serviços farmacêuticos a partir da Atenção Primária a Saúde. 


Os Serviços Farmacêuticos (ou Assistência Farmacêutica, como chamamos no Brasil), assim como todo o serviço de saúde, deve ser centrado na APS entendendo esse nível de atenção como responsável pela resolução da maioria das necessidades de saúde da população.
Para acessar este documento clique aqui

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Novo Decreto Presidencial atualiza Lei de Vigilância Sanitária de 76


Sancionada a quase 40 anos, lei 6360 de Vigilância Sanitária é regulamentada por novo decreto presidencial. Veja as principais mudanças:

Notificações agora são obrigatórias
O novo dispositivo agora já prevê a notificação de eventos adversos e queixas técnicas relacionadas a produtos sujeitos à vigilância sanitária. Com isso, reforça-se a possibilidade e a qualidade do monitoramento de produtos no mercado e, além da melhor gestão da saúde pública. 



Priorização de Registros para o SUS
Foram estabelecidas hipóteses de priorização de registros de produtos na Agência, todas elas alinhadas com as políticas definidas pelo Ministério da Saúde para fortalecimento do Sistema Único de Saúde – SUS e do Complexo Industrial da Saúde.



Autorização de uso mediante interesse do estado e não apenas da Indústria
Mediante solicitação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS - Conitec, a Anvisa poderá emitir autorização de uso para fornecimento, pelo SUS, de medicamentos ou de produtos registrados nos casos em que a indicação de uso pretendida seja distinta daquela aprovada no registro, desde que demonstradas pela Conitec as evidências científicas sobre a eficácia, acurácia, a efetividade e a segurança do medicamento ou do produto para o uso pretendido na solicitação



Registro de Fitoterápicos pela Tradicionalidade do Uso
Reconhecimento da efetividade/eficácia de medicamentos fitoterápicos por meio do uso tradicional, facilitando o registro desses produtos em atendimento às políticas setoriais de saúde.



Conheça o Decreto 8077/13 na integra: clique aqui

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Do Bactrim à Bakhtin: reorientação da profissão farmacêutica para a promoção da saúde

“Medicamentos não têm doses - Pessoas têm doses”, nessa feliz reflexão feita por Cipolle em 1986, está demonstrada a necessidade de transição de uma prática farmacêutica focada no medicamento para uma prática clínica, centrada no paciente.



Na era pré-industrial, o conhecimento pertencia às corporações de ofício. Os canais de difusão e transmissão da informação são essencialmente comunitários e informais e o Boticário inserido no convívio popular exercia seu papel de educação em saúde, mesmo que numa lógica empírica e distante de uma cultura erudita ou cientifica.
Na Revolução Industrial, com a reorganização da produção através da divisão do trabalho, do agrupamento da força de trabalho em fábricas e a centralização dos meios de produção, o farmacêutico pede seu papel na elaboração manufaturada de medicamentos na farmácia, que se torna um ambiente de distribuição da produção industrial, perdendo sua função na atenção a saúde.
A profissão farmacêutica, nesse novo contexto sobre uma reorientação tecnológica, investido no desenvolvimento de atividades focadas principalmente na produção dos medicamentos ou no apoio ao diagnóstico. Perfil ainda predominante entre os profissionais brasileiros.
No entanto atualmente, na era pós-industrial, caracterizada pela evolução dos serviços e pela ascensão da informação como objeto de poder e de transformação social torna-se imperativo a reorientação do trabalho do farmacêutico para o combate as mazelas causadas pelo uso irracional de medicamentos e para a promoção da saúde.
Para o alcance desse objetivo é necessário, ampliar o objeto fim do trabalho do farmacêutico, para além do medicamento em si, mas para o usuário dele. Um profissional com visão estritamente técnica e biológica dos processos de saúde-doença-cuidado e que, ao conversar com um paciente, apenas aborde questões relacionadas ao seu comportamento, sem buscar entender o espaço em que ele vive, suas condições de vida e relações sociais, culpabilizando-o por sua situação, traduz, assim, uma visão de mundo em que o indivíduo é responsável por tudo aquilo que lhe acomete.
O farmacêutico que se propõe a atuar na promoção da saúde deve assumir uma postura diferente diante do sujeito de seu trabalho, deve não apenas garantir que o paciente conheça todos os efeitos e riscos do “Bactrim”, deve na verdade conforme postulado por Bakhtin, conhecer esse indivíduo, seus enunciados, os discursos que traz no seio do próprio discurso, os conflitos ou as possibilidades que podem ser gerados pelos discursos de outrem ali integrados. Podemos pensar o profissional de saúde como um professor e o paciente como um estudante, pois entendemos que essas situações possuem uma dimensão pedagógica, onde se desenvolve uma troca e a construção de saberes em que os sujeitos crescem juntos na busca do objetivo comum pela busca da saúde. 

sexta-feira, 28 de junho de 2013

CFF regulamentará prescrição farmacêutica. Conheça como essa prática acontece em outros países

Está em consulta publica no Conselho Federal de Farmácia Brasileiro a Resolução que regulamentará a Prescrição Farmacêutica (clique aqui), nela prevê a autorização de prescrição de medicamentos isentos de prescrição médica, as plantas medicinais, as drogas vegetais e os fitoterápicos isentos de prescrição.



Se essa pratica é uma novidade para a realidade brasileira, em alguns países já é uma atividade regulamentada:

1) Reino Unido: Com diretrizes padronizadas pelo NHS – National Health Service (Sistema Nacional de Saúde Britânico), a prescrição farmacêutica britânica pode se dar de duas maneiras: independente ou suplementar.
Na prescrição independente, o farmacêutico pode prescrever qualquer medicamento para qualquer condição médica dentro de sua competência.
Na prescrição suplementar os farmaceuticos são responsáveis ​​por continuar o tratamento depois de um prescritor independente realizou previamente uma avaliação de saúde. Eles trabalham com o prescritor independente para cumprir um plano de gestão clínica acordada.

Para saber mais confira o documento: Exploring and Evaluating Pharmacist Prescribing



2) No Canadá: a prescrição é permitida aos farmaceuticos, que devem participar de um permanente programa de atualização, com acompanhamento das sociedades de classe. Pode prescrever medicamentos para o tratamento suplementar, condições ou doenças auto-diagnosticada ou auto-limitante, ajustando dosagens e formas farmacêuticas; monitoramento e recarga de prescrições para garantir atendimento adequado e eficaz; fornecimento de suprimentos de emergência de medicamentos previamente prescritos e gestão abrangente terapia medicamentosa, onde o farmacêutico, trabalhando com outros profissionais de saúde, assume toda a responsabilidade por estabelecer e manter a terapia crônica da droga de um paciente.

Outros modelos de prescrição farmacêutica também podem ser encontrados na Austrália, Estados Unidos e Africa do Sul com diferentes níveis de desenvolvimento e abrangência, conforme tabela abaixo:

  

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Medicamentos financiados pelo SUS para cessar o tabagismo

O tabagismo é reconhecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma doença crônica, epidêmica, sendo a maior causa isolada evitável de adoecimento e mortes precoces em todo o mundo.




A dependência à nicotina é um processo complexo que envolve a inter-relação de fatores fisiológicos, psicológicos e comportamentais.





O uso de medicamentos tem um papel bem definido no processo de cessação do tabagismo, que é o de minimizar os sintomas da síndrome de abstinência à nicotina, facilitando a abordagem psicológica do tabagista. Estudos de meta-análise demonstraram que a combinação da abordagem com o uso de medicamentos aumentou significativamente as taxas de cessação do tabagismo em comparação com a utilização de um dos dois (abordagem ou medicamentos) isoladamente. Portanto, qualquer medicamento não deve ser utilizado isoladamente, e sim em associação com acompanhamento ao tabagista.
O Ministério da Saúde, por meio do Componente Estratégico da Assistência Farmacêutica, financia o tratamento medicamentoso para os brasileiros que decidam parar de fumar. Fazem parte do rol os seguintes medicamentos:

1 – Goma de Mascar de Nicotina
Apresentação: goma de mascar em tabletes com 2 mg de nicotina

2 – Pastilha de Nicotina
Apresentação: pastilha em tabletes de 2mg de nicotina

3 - Adesivo Transdérmico de Nicotina
Apresentações: adesivos transdérmicos de nicotina com liberação de 7 mg, 14 mg e 21 mg em 24hs

4 – Cloridrato de Bupropiona
Apresentação: Bupropiona em comprimidos de 150 mg

O Ministério da Saúde se planeja para aumentar a adesão de unidades que fornecem o tratamento para cessão do tabagismo. A meta é que até 30 mil unidades de saúde disponibilizem o serviço.